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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O problema dos métodos em Ciencias Sociais

As ciências sociais e entre elas a História, adotam diversos métodos para apreensão e elaboração conceitual de seu objeto de pesquisa. Mas, a problemática se apresenta quando se reconhece que os métodos nem sempre dão conta de tais objetivos e, portanto, não são eficazes.

Ciro Cardoso e Hector Brignoli, em “Os Métodos da História”, abordam de forma crítica esta problemática e discute as possibilidades de se construir uma ciência histórica em diálogo com outros ramos do conhecimento científico. Como manter um diálogo sem perder o objetivo e os métodos próprios da história?

O fato é que muitos métodos apresentam suas limitações e tendências específicas que resultam em parcialidades. Os autores expõem como exemplo à “história serial”, a “história quantitativa” e a “New Economic History”.

A História Serial adota um método que privilegia e se prende a questões cronológicas. Seu sistema não permite perceber as transformações qualitativas de uma sociedade, ou seja, nas curvas longas da cronologia histórica, podem esconder mudanças estruturais e essenciais.

A História Quantitativa e os pesquisadores da New Economic History, apresentam as mesmas dificuldades ao adotar o probabilismo matemático na análise da história. Há uma tendência de analisar o passado com conceitos que são próprios do contexto social moderno. Os autores criticam o anacronismo de determinados métodos, como por exemplo, os economistas historiadores que “aplicam tranquilamente, ao passado, conceitos, problemática e metodologia da ciência econômica atual, elaborado em função de uma sistema econômico bem determinado”. Trata-se de um método fechado em si mesmo, totalizador, e portanto, parcial, pois não percebe as relações sociais como um todo.

Nesta linha seguem os demógrafos historiadores, interessados na fecundidade, na mortalidade ou nas migrações de épocas passadas, mas pouco atentos aos vínculos que unem tais variáveis demográficas aos fatores econômicos, sociais, políticos, etc.

Os autores criticam também a “história estrutural” desenvolvida pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss. O estruturalismo se aproximaria de uma linha que ela mesma se opõe: a história conjuntural. Por outro lado, a crítica a Lévi-Strauss deve ser ponderada para não ser tornar uma típica "critica de corredor", pois ele nunca abriu mão da história a favor de um sincronismo.   

Os autores não se mostram definitivamente a favor de algum métodos, mas propõem uma revisão dos mesmos na construção de uma ciência histórica, sem que esta perca sua característica.